PATRIMÓNIO HISTÓRICO


Igreja de Santiago

  • A Igreja Paroquial de Santiago recebeu ordem de construção por alvará do Mestre da Ordem de Santiago e Duque de Aveiro em setembro de 1533, devido ao rápido desenvolvimento da "Ribeira", a Sesimbra actual, que extravasara das muralhas do Castelo, com o progresso dos Descobrimentos, sendo a sua população basicamente constituída por mareantes e pescadores.

          ... "a povoação crescera inusitadamente, com os seus quinhentos e trinta e seis fogos, e mil quinhentos e quarenta fiéis recenseados, " contando alguns escravos " ...
           In Sesimbra Monumental e Artística - Visitação a Sesimbra de D.António Preto, mestre da Ordem de S. Tiago, em 1553


  • D. Jaime de Lencastre, Bispo de Ceuta e neto de D. João II, encarregou o cavaleiro fidalgo da Casa Real, Francisco Marrecos, em 1533 de iniciar as obras da Igreja de Santiago, sendo aberta ao culto em 1536, com a sua capela-mor acabada e o corpo do templo em fase de acabamento. A 19 de outubro de 1538, recebe a confirmação por bula apostólica, mas só em 1564 foram concluídas as obras.

  • Actualmente a igreja apresenta um aspecto arquitectónico bastante incaracterístico e severo. Apenas a grande torre sineira, que se ergue à esquerda e em corpo saliente ao da Frontaria, apresenta ainda vestígios da sua primitiva estrutura arquitectónica. Penetrando no interior, depara-se-nos ainda a fábrica quinhentista em toda a sua estrutura de três naves, separadas por cinco tramos de arcaria de volta perfeita e colunas capitelizadas, coevas da fundação, todas com vigorosos capitéis lavradas de razoável cinzel, incluindo motivos fitomórficos e geométricos, estão recobertas por uma muito interessante decoração pictural de brutesco com as suas cartelas, obras-de-laço e mascarões de tipo tardo-renascentista, executada a têmpera e várias vezes datada (1642-1644).
     

  • O Arco triunfal e as portas que fazem serventia da Capela-Mor para as dependências contíguas, são de recorte manuelino. Os tectos que recobrem as naves são de madeira e vulgares, e documentam já melhoramentos ulteriores. Nesta estrutura arquitectónica típica do segundo quartel do século XVI concebida ainda dentro de um espírito tárdio-gótico, nas soluções de embelezamento promovidas no século XVII, souberam adaptar-se com vincada sensibilidade e inundando o amplo interior de agradáveis sugestões que chegam a surpreender.
    Os altares, dois colaterais e cinco laterais, recomendam-se pelos seus retábulos de profusa talha lavrada e dourada, num conjunto de marcenaria barroca sem par no Concelho. Do lado do Evangelho, estima-se um retábulo de talha ainda seiscentista de linhas Serlianas e estrutura anti-clássica, que documenta um estádio cultural anterior ao dos restantes retábulos de altar, estes barrocos e datáveis dos fins do século XVII ou inícios do século XVIII. O melhor retábulo de talha dourada é todavia o do altar-mor ainda dos fins do século XVII e integrado no ciclo do "estilo nacional". As colunas Salomónicas finamente lavradas e revestidas, os atlantes das bases, os frisos repletos de formas sinuosas e de jogos geométricos, as arquivoltas rebuscadas, denunciam que a paróquia de S. Tiago de Sesimbra recorreu, para o seu retábulo-mor a um excelente oficial de marcenaria.
     

  • Ainda nesta Capela-Mor pode-se notar o tecto da abóbada que a recobre, decorado com uma pintura dos fins do século XVIII onde trechos de arquitectura perspectivada envolvem um medalhão central alusivo à Eucaristia.
    Em 1967 a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais levou a efeito obras de melhoramento da Igreja, recuperando-se as pinturas de dourados originais e repondo-se partes obliteradas na máquina de marcenaria primitiva.

In Sesimbra Monumental e Artística - E. Cunha Serrão e V. Serrão