PATRIMÓNIO NATURAL / HISTÓRICO
Inventário das GRUTAS



Grutas dos Morcegos




 

 

 


 

 


 

 








 






 

 
Gruta dos Morcegos

  • A Gruta  situa-se, no maciço da Serra da Arrábida, entre Sesimbra e o morro de Alpertuche. Desenvolve-se em plena arriba vertical da serra, tendo cerca de 100 metros, ao longo de terrenos calcários do Jurássico.
    À sua frente existe uma mini praia de seixos rolados, que é submersa pela maré, pelo que a sua acessibilidade só pode ser feita por mar, sendo absolutamente necessário ter em atenção o horário das marés, para que se possa entrar e sair em segurança.
    A entrada da gruta, situa-se na base de uma alta falésia, chegados a este ponto, deparamos com uma galeria meio submersa, extensa e perpendicular à falésia, a meio do percurso surge um estrangulamento também inundado, desembocando em salas onde prolifera a colónia de morcegos, parecendo tratar-se de um autêntico santuário destas espécies.
     

  • Foi descoberta em data indeterminada, não dispomos de dados coerentes, que possibilitem fazer uma afirmação correcta. Lembramos apenas, que G. Zebyzesky, já a conhecia, anteriormente a 1941, pois a citou a alguns amigos, nomeadamente A. B. Machado, da Universidade do Porto, aquém ele a citou, e que, em Julho de 1941, veio explorar a sua fauna.
     

  • Do ponto de vista espeleológico, a Gruta dos Morcegos, têm a entrada na base de uma alta falésia, de terrenos calcários do Jurássico, a qual está meio obstruída por grandes pedras, resultantes dos movimentos marinhos que a cercam.
    Chegados a este ponto, deparamos com uma primeira galeria meio submersa, extensa e perpendicular à falésia, a meio do percurso surge um estrangulamento também inundado, desembocando aparentemente em duas outras salas onde prolifera a colónia de morcegos. A primeira é seca, tendo-se a sensação de já ter sido inundada em épocas anteriores, passa-se à segunda, já inundada, onde ainda se notam restos de tábuas depositadas possivelmente por camponeses de Azeitão em busca do guano dos morcegos
    (1) , deparamos com um charco de pequena profundidade e de repente apercebemo-nos, que afinal a gruta não acaba ali, mas ainda à mais pelo menos duas salas, onde as colónias de morcegos se desenvolvem, parecendo um autêntico santuário destas espécies.
    As suas formações são comuns a uma gruta natural sendo as espeleoformas normais sem nada de especial a assinalar, a não ser a quantidade apreciável, de guano, que nalgumas galerias, cobre o solo e as paredes, tornando as espeleoformas quase negras e provocando uma saturação de vapores existente na atmosfera respirável.
     

  • Do ponto de vista arqueológico, não dispomos de informação credível neste momento.

     

  • ESCAVAÇÕES Efectuadas e Publicações:

    • G. Zebyzesky já a conhecia anteriormente a 1941.
       

    • Exploração Biológica em 1941, pelo Dr. A. Barros Machado do Instituto de Biologia da Universidade do Porto.(2)
       

    • Publicação em 1945, dos dados recolhidos na exploração de 1941, no nº8 do Boletim da Junta de Província da Estremadura.(2)
       

  • ESPÓLIO Biológico :

    • Na primeira galeria: "artrópodes comuns; grandes isópodes escuros, e a aranha das casas Teutana grossa; ... um macho e uma fêmea de uma espécie de aranha ainda não publicada (Tegenaria aff. silvestris n. sp.); ... uma aranhita pálida, que se me escapou, ... poderia talvez ser um Lephthyphantes" (2).
      Num charco mais à frente, depositado no solo estalagmitico "varios  anfípodes brancos, nadando às sacudidelas, como é hábito destes crustáceos"
      (2).
      Estes anfípodes observados ao microscópio, revelaram-se cegos e despigmentados, o autor da descoberta (A.B. Machado) , enviou-os ao Museu Zoológico de Berlim, onde o Dr. Schellenberg, os classificou como pertencentes, a "uma forma um pouco aberrante de Pseudoniphargus africanus
      (3), Chevreux, o único anfípode cavernícula citado até hoje da Península Ibérica"
      A revelação deste ser minúsculo, tem grande importância, bio geográfica, dado a sua antiguidade e área de distribuição muito fragmentada, havendo referências a descobertas em poços da Argélia, nas grutas de Santander e Guipuzcoa (Espanha), em charcos estalagmíticos do convento de Split (Croácia), e no poço do seminário do Funchal (Madeira). Tendo em atenção, que altitude das diversas localizações, das ocorrências, variam entre a cota 0 e os 1000 metros de altitude e que as ascendências filogenéticas do Pseudonipbargus, pertencente ao género Crangonyx, não possui nenhum representante marinho, são uma das razões que levou o Dr. Schellenberg a dizer que "a distribuição do género Pseudonipbardus é testemunho seguro da antiga ligação entre a Madeira e o Continente, ligação que, segundo o parecer mais geral, desapareceu no Miocénico, isto é no período de que datam os mais antigos fósseis conhecidos de anfípodes"
      (2).
      Uma concha de gastrópode, recolhida nesta mesma exploração foi classificada, pelo Prof. Dr. Augusto Nobre, como pertencente a uma espécie de águas salobras, denominada "Alexia myosotis"
      (2).
       

    • Nas outras salas: Predominam colónias de morcegos "Myotis myotis, a espécie de tendências mais gregárias  de quantas habitam as cavernas do nosso país. É provável que na sua companhia se encontrasse o minúsculo Miniopterus schreibersii, seu satélite habitual" (2)


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  • (1)  Informação do sr. Luiz Gonzaga do Nascimento - in "Àcêrca da Lapa dos Morcegos da Arrábida e da sua fauna - Separata do nº8 do Boletim da Junta de Província da Estremadura - 1945"

  • (2) "Àcêrca da Lapa dos Morcegos da Arrábida e da sua fauna - Separata do nº8 do Boletim da Junta de Província da Estremadura - 1945"

  • (3)  Chevreux, ED., Amphipodes des eaux souterraines de France et d'Algérie.«B.S. Zoll. France» 26 (1901)


  • Protecção :

  • Registo IPA -

  • Datações do Sítio -

  • Bibliografia : Separata do nº8 do Boletim da Junta de Província da Estremadura - 1945; Amphipodes des eaux souterraines de France et d'Algérie.«B.S. Zoll. France» 26 (1901)


 

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