
Falésia da entrada da Lapa

A entrada da Lapa

Capela no Interior da Lapa

Vista para fora ao pôr do Sol, da
galeria principal

Vista para fora ao pôr do Sol, da segunda
galeria

Aspecto interior 1

Aspecto interior 2

Biface Abbevilense (2)
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Lapa de Santa
Margarida
A Gruta , tal como a da Figueira Brava, uma
ocorrência de destaque, a cerca de poucas dezenas de metros,
situam-se, no sopé do maciço da serra da Arrábida, na
encosta Sul, entre o Portinho e a Praia de Alpertuche, em
arribas escavadas pelo mar no Plistocénico, numa zona
actualmente representada por conglomerados provenientes de
terraços marinhos de 12-15 e 5-8 metros, resultantes do
último intreglaciário e ao princípio da glaciação de Wurm
(100.000 Anos, Tirreniano II e III ). Actualmente, o
desnível da gruta ao nível do mar deverá situar-se entre os
5 metros.
Foi
descoberta em data indeterminada, os dados
incoerentes que possuímos, não nos permitem afirmar datas precisas, mas
garantimos que o seu conhecimento é bastante antigo: por
exemplo Alexandre Herculano já a descrevia,
"abre-se em dois arcos na rocha, um que dá sobre o mar,
outro que dá para fragas. Entra-se pelo que dá sobre o mar,
até onde vos puder internar o vosso barquinho, como fazem os
pescadores do Cabo quando vão ouvir missa ou levar oferenda
à Santa da Lapa. De repente arqueia-se sobre vós a gruta
silenciosa, cheia de uma frescura e de uma suavidade
inalteráveis, sepultada num silêncio religioso que o roçar
das ondas parece não interromper. Recorta-se irregularmente
em caprichosas estalactites o côncavo da Lapa. Em alguns
pontos, foram subindo do solo as colunas vítreas a que os
naturalistas chamam estalagmites, e tanto cresceram que
puderam fundir-se com as grandes massas de carambina
pendentes da abóbada. Abraçaram-se e fizeram colunas que
três homens não poderão abranger com os braços."
note-se, nesta descrição:
"abre-se em dois arcos na rocha, um que
dá sobre o mar, outro que dá para fragas"
, referência
às duas salas que constituem a gruta.
"Em
alguns pontos, foram subindo do solo as colunas vítreas",
referência nítida à transparência proveniente das
estalagmites ainda em forma cristalina, não oxidada pelas
condições adversas a que foi posteriormente sujeita
"tanto
cresceram que puderam fundir-se com as grandes massas de
carambina pendentes da abóbada", "carambina" (Gelo
pendente das árvores, o mesmo que sincelo - pedaços de
caramelo, suspensos das árvores ou dos beirais dos telhados
e resultantes da congelação da chuva ou do orvalho.)
Mais uma referência ao aspecto cristalino que toda a gruta
deveria apresentar na altura.
"Abraçaram-se
e fizeram colunas que três homens não poderão abranger com
os braços" . Referência às dimensões das, colunas
existentes na gruta.
Tudo isto só
prova que a visitou, e o surpreendeu pela beleza imanada.
-
Do ponto
de vista espeleológico, trata-se de uma cavidade Cársica. do
maciço da Arrábida rica em biocalcarenitos miocénicos, têm uma entrada,
pela falésia natural, virada ao oceano, onde se depara com uma
Grande sala. Que foi preenchida por uma plataforma de
abrasão marinha, apresentando a seguinte sucessão em
destaque de cima para baixo, no terraço de 5 metros :
-
3-
Brecha bem cimentada, avermelhada e acastanhada, com ossos
de vertebrados terrestres, lascas mustierenses e leitos
estalagmíticos.
-
2 -
Conglomerado de cimento avermelhado e com fragmentos de
Patella safiana, Venus, Tapes, Ostrea, etc...(
Nota curiosa, a Patella safiana é considerada como
característica de águas quentes, actualmente o seu limite
norte, é o território de Marrocos, o que nada tem a ver com
as condições climatéricas da glaciação Würm, onde foi
encontrada.)
-
1 -
Conglomerados de grandes elementos com indústrias
paleolíticas misturadas.(1),
.
Do ponto de vista arqueológico, foi
considerada uma gruta com ocupação no período Paleolítico,
com restos de fauna e materiais líticos.
ESCAVAÇÕES Efectuadas e Publicações:
Por G. Zbyszewski e H. Breuil em 1940, as
primeiras efectuadas.
Foram
seguidas por Breuil e Zbyszewsk em 1945 .
Zbyszewski e Teixeira em 1949 (classificação dos fósseis do
terraço de 5-8 metros das grutas da Arrábida).
ESPÓLIO:
Encontrado na sequência estratigráfica, constituída por
areias e pedras, ricas em conchas e restos de
fragmentos de ossos trazidos pelo homem, foram datadas
por C14, U entre 30 e 31 mil BP.
Indústria Lítica -
Destacam-se um biface Abbevilense. e outros
artefactos considerados, como Musterierenses, elaborados sobre
base de quartzo, recolhidos por Zbyszewski e
Breuil em 1940.
Restos Ósseos -
Foram descobertos duas brechas ossíferas
-
GoogleMaps:
http://maps.google.com/maps?q=38.470031,-8.987&spn=0.005150,0.008100&t=k
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