Património Natural


Lagoa de Albufeira

A Lagoa  -  Local de invulgar beleza ecológica, situa-se na orla ocidental da Península de Setúbal, a cerca de 20km a sul de Lisboa, entre a Caparica e o Espichel. Está separada do oceano por uma barreira, contínua ao longo de 1200m, ambas as extremidades confinam com arribas talhadas em terrenos plio-quaternários. A barreira que a separa do mar é formada por areias grosseiras, constantemente renovadas pelas ondas.

Ocupa uma superfície de 1,3km 2 e apresenta uma geometria alongada, com o eixo maior oblíquo relativamente à linha de costa, orientado Sudoeste-Nordeste.

É formada por dois corpos lagunares principais ligados por um canal estreito, sinuoso e pouco profundo: a Lagoa Pequena, mais interior e menos profunda e a Lagoa Grande, com profundidades máximas de cerca de 15m, constituída por dois segmentos elípticos, definidos por cúspides arenosas marginais .


Lagoa de de Albufeira (extracto da Carta Militar de Portugal nº. 453, à escala original: 1:25.000 (IGE, 1993))

Desde pelo menos o século XV que se matem a prática de melhorar o corpo aquoso da Lagoa e controlar a eutrofização, procedendo-se  periodicamente à abertura por meios mecânicos, de uma  uma barra de maré que fecha naturalmente algumas semanas a meses depois.

Esta intervenção antrópica, consiste em remover areia do lado interno da barreira e abrir depois uma estreita ligação ao mar; o forte fluxo de descarga, que se gera em baixa-mar devido ao desnível existente entre as cotas dos planos de água lagunar e oceânico, rasga um canal amplo e profundo.
Enquanto a barra se mantém aberta, a maré oceânica propaga-se no interior da laguna renovando o corpo aquoso.
É como um fertilizante para a lagoa, que adquire características físico-químicas idênticas às da água oceânica, tornando-se homogénea, oxigenada e límpida, com salinidade da ordem de 3,5%, embora temporariamente.

Evolução da Lagoa de Albufeira nos últimos 10.000 anos.

Há cerca de 10.000 anos o nível médio do mar localizava-se cerca de 20m abaixo do actual. A Lagoa ainda não se teria formado, no seu lugar existiria um vale profundo. No período de 10.000 a 6.000 o nível do mar elevou-se rapidamente até perto da cota actual, invadindo a superfície previamente modelada pela rede hidrográfica. Cerca de 5.000 ocorreu uma desaceleração brusca da taxa de elevação do nível do mar que possibilitou a diferenciação e acumulação de uma restinga arenosa e definiu o ambiente lagunar. Desde 5.000 até ao presente, a descarga sólida fluvial preencheu os vales que hoje se encontram afogados em sedimento e com fundo plano. O corpo lagunar reduziu a sua extensão e profundidade.

A evolução futura da Lagoa de Albufeira será certamente dominada pelos processos de assoreamento que se traduzem pela agradação vertical do fundo do corpo lagunar e pela redução da sua superfície molhada. Os condicionantes desta evolução são de natureza global (elevação do nível médio do mar associada ao efeito de estufa) e de âmbito local, com relevância especial para os de origem antrópica. Dos últimos, destacam-se a intervenção agrícola, a desflorestação, a ocupação urbana da margem terrestre e a (re)abertura frequente da barreira.

Texto adaptado de Geologia no Verão 2001 – Guia de Excursão 12
A Geologia no Litoral – Parte II: Da Lagoa de Albufeira a Setúbal